domingo, 12 de dezembro de 2010

NO ÔNIBUS


Já era tarde, entrei no ônibus, quando me sentei num banco meio ao fundo do veículo, não pude deixar de escutar a conversa dos passageiros de trás, um jovem e uma moça, que conversavam naturalmente como velhos conhecidos. Entre o cansaço da viagem e a vontade de chegar logo ao centro, não pude deixar de prestar atenção na conversa que se encaminha no banco de trás, notei que falavam de religião, algo a respeito de um encontro de casais na igreja ao qual frequentavam, e foi aí que percebi que não eram conhecidos, o rapaz pergunta o nome da moça, e a convida para participar do encontro na igreja, mas como é um encontro de casais ele fala para ela levar o namorado dela. Creio que a resposta que o rapaz esperava seria outra, mas ela disse que iria sim, e iria convidar o namorado. O ônibus não estava lotado, pra dizer a verdade estava até meio vazio, o que fazia com que todos no interior do veículo escutassem a conversa dos jovens. Talvez a conversa tivesse terminado por ali, enfim, ela tem namorado, e houve uns instantes de silêncio. O sol batia na janela, incomodava a visão dos passageiros, e o tempo parecia não passar, é sempre assim, a vida não passa quando você fica olhando pra ela.

Logo pude ouvir a voz da moça, que dizia estar com sede, também, pudera, o calor estava demais. O jovem a convidou para tomar uma bebida assim que chegassem no centro, a moça replicou dizendo que não, que não precisava ele se incomodar, algo que uma mulher sempre diz quando quer dizer sim.

O ônibus parou em uma estação tubo, a próxima era a que eu iria descer, faltava apenas alguns instantes pra que chegar ao meu destino, a conversa dos jovens no banco de traz fez com que o tempo da viagem passasse mais rápido, é sempre bom se entreter com algo quando o tédio tenta tomar conta de nossas mentes.

O ônibus parou na estação tubo do centro, desci, e ainda pude ver os jovens ao longe, ela foi tomar uma bebida com ele.

Talvez nunca mais se viram, ou talvez passaram a se ver todo dia, enfim, quem pode saber?


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A PIOR PRISÃO





























Me sinto preso, sem grades, sem algemas, sem leis e sem limites, Eu tenho escolha, mas não opção, tenho caminhos, mas não direção. Eu tento me desfazer do mundo, mas o mundo me persegue, não consigo mas pensar, não consigo mas criar, sou apenas mais um, um objeto em suas mãos.